Preservação da fertilidade: quando e por que considerar?
Congelar óvulos deixou de ser uma decisão de último recurso para se tornar uma escolha estratégica. Cada vez mais mulheres optam por preservar sua fertilidade antes que o tempo biológico imponha limitações.
A fertilidade feminina está diretamente ligada à idade. Ao nascer, uma menina tem aproximadamente 1 a 2 milhões de óvulos. Na puberdade, esse número cai para cerca de 300 mil. E a partir dos 30 anos, a reserva ovariana diminui de forma progressiva — e a qualidade dos óvulos também.
A preservação da fertilidade surge como uma resposta a essa realidade: uma forma de "pausar o relógio biológico" e garantir que os óvulos de hoje — mais jovens e de melhor qualidade — estejam disponíveis para uma gestação futura.
O que é a preservação da fertilidade?
A preservação da fertilidade envolve a captação e o congelamento de óvulos (criopreservação de óvulos) ou embriões para uso futuro. É um procedimento seguro, com técnica consolidada, e os resultados têm melhorado significativamente com o avanço da vitrificação — o método moderno de congelamento ultra-rápido que preserva melhor a integridade das células.
Para quem é indicada?
1. Mulheres que desejam adiar a maternidade
Seja por razões profissionais, pessoais ou por ainda não ter encontrado o parceiro certo, muitas mulheres optam por congelar óvulos antes dos 35 anos — quando a reserva e a qualidade ovocitária ainda são adequadas. Essa é a indicação mais comum hoje em dia.
2. Pacientes oncológicas
Tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem comprometer permanentemente a função ovariana. Por isso, mulheres em idade fértil diagnosticadas com câncer são frequentemente encaminhadas para preservação da fertilidade antes de iniciar o tratamento oncológico — a chamada oncofertilidade.
3. Endometriose
A endometriose pode afetar progressivamente a reserva ovariana, especialmente quando há cistos ovarianos (endometriomas). Mulheres com endometriose que ainda não desejam engravidar podem considerar a preservação como medida preventiva.
4. Baixa reserva ovariana
Algumas mulheres, mesmo jovens, apresentam reserva ovariana diminuída. Nesses casos, preservar óvulos enquanto ainda é possível pode ser a melhor estratégia para garantir uma gestação futura.
5. Casais que fazem FIV
Em ciclos de fertilização in vitro, os embriões excedentes — aqueles não transferidos — podem ser criopreservados para uso em futuras tentativas, evitando a necessidade de nova estimulação ovariana.
"Preservar óvulos antes dos 35 anos é uma das decisões mais inteligentes que uma mulher pode tomar pelo próprio futuro reprodutivo."
Como funciona o processo?
- Avaliação inicial: dosagem do AMH (hormônio anti-mülleriano) e ultrassonografia para contagem de folículos antrais — exames que avaliam a reserva ovariana
- Estimulação ovariana: injeções de hormônios por 10 a 14 dias para produzir múltiplos óvulos
- Monitoramento: ultrassonografias e exames de sangue para acompanhar o desenvolvimento dos folículos
- Captação dos óvulos: procedimento ambulatorial, com sedação leve, realizado por via transvaginal
- Vitrificação: os óvulos maduros são congelados e armazenados em nitrogênio líquido a -196°C
Qual a melhor idade para preservar?
Quanto mais jovem, melhor. Os melhores resultados são obtidos com óvulos captados até os 35 anos. A partir dos 37-38 anos, a qualidade ovocitária declina de forma mais acentuada e as taxas de sucesso diminuem.
Isso não significa que preservar após os 35 seja inútil — mas a avaliação individualizada da reserva ovariana é fundamental para definir se o procedimento ainda é viável e vantajoso naquele momento.
Por quanto tempo os óvulos podem ficar congelados?
Tecnicamente, óvulos e embriões vitrificados podem ser armazenados indefinidamente sem perda de qualidade. No Brasil, a legislação atual permite o armazenamento por tempo indeterminado, desde que mantido o vínculo com a clínica responsável.
Quer saber se a preservação da fertilidade é indicada para você? Agende uma avaliação com o Dr. Felipe Costa.
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